sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Nubia Feitosa fala sobre violência contra a pessoa para um auditório lotado

Para um auditório lotado e uma plateia atenta, a primeira-dama e secretária de Planejamento e Articulação Governamental do município de Paço do Lumiar, Nubia Feitosa Dutra, realizou na noite desta quinta-feira, 30 de agosto, no auditório do Instituto de Ensino Superior Franciscano (IESF), uma palestra sobre Violência contra a Pessoa, com destaque para proteção e direitos da mulher.


Durante pouco mais de uma hora, Nubia Feitosa falou de temas importantes e delicados, mas que são necessários serem colocados para discussão, como estupro marital, reciprocidade como aparelho de controle, sinais que antecedem a violência física contra a mulher, quando o medo vence a razão (Síndrome de Estocolmo), além de abordagens mais específicas como Lei Maria da Penha e medidas protetivas. “Nós, mulheres, quando brigamos com o companheiro, ou quando vemos que as coisas não estão bem, gostamos de discutir a relação, a famosa DR. Já os homens, em sua maioria, não gostam de DR. Eles preferem fazer as pazes com sexo. Quando há esta pressão e o ato sem o consentimento pleno da mulher, sem que ela esteja se sentindo à vontade, há o que chamamos de estupro marital, que traz danos emocionais terríveis para as mulheres”, explicou Nubia Feitosa, que é psicopedagoga, psicóloga, psicoterapeuta de regressão e advogada criminalista com trabalhos voltados para a defesa da mulher. É especialista em docência no ensino superior, em direito civil e processual civil, perita criminal, mestranda em ciências jurídicas, grafóloga e também poetisa. 

A especialista destacou o mal que faz às relações o controle de um companheiro sobre o outro, o que ela chama de atitude predadora e que só contribui para a tensão nos relacionamentos. “É preciso que saibamos diferençar a aparente reciprocidade do companheiro ou da companheira dos mecanismos de controle. Controlar a vida do outro, com quem a pessoa fala, as ligações que recebe, com quem se comunica nas redes sociais é atitude de predador. Temos de preservar a individualidade. E isto vale tanto para homens, como para mulheres”, afirmou.


Dra Nubia Feitosa ressaltou ainda a necessidade de uma educação igualitária, sem machismos, na qual se ensine os filhos também a lavar a louça, arrumar a cama, limpar o seu espaço, e não apenas as mulheres. “A questão da violência por vezes é sutil. São crenças repassadas por gerações. É preciso quebrar esse modelo. Nós, mulheres, estamos sendo espancadas por filhos de outras mulheres que se omitiram do processo de transformação, de evolução das relações de igualdade e direitos entre homens e mulheres”, observou.

A primeira-dama lembrou ainda do atentado que sofreu em julho do ano passado quando defendeu uma mulher do seu algoz em plena via pública de Paço do Lumiar, quando recebeu quatro tiros, sendo dois no rosto. “Eu intercedi quando vi a mulher sendo agredida e faria de novo. Aquela mulher é filha de alguém. Poderia ser minha filha. Não poderia me omitir de ajudar. O que mais doeu após o episódio foi ver mulheres me criticando e repetindo a frase machista e equivocada: em briga de marido e mulher não se mete a colher. Se mete sim!”, enfatizou dra Nubia Feitosa.

Ao concluir a palestra, dra Nubia Feitosa deu uma dica importante para evitar o extremo da violência física contra a mulher. “Quando a mulher sentir que o homem está perdendo o controle, com gestos bruscos, passando a mão na cabeça, no nariz, nervoso, é hora de recuar. Mas este recuo é para garantir a sua integridade física, para evitar a violência física. É um recuo estratégico que permitirá à mulher se preservar e buscar sair daquela relação de opressão”, pontuou.

Ao encerrar sua apresentação, dra Nubia Feitosa foi bastante cumprimentada, tanto por alunos do IESF, quanto por convidados e pela direção da Faculdade, de quem partiu o convite para a palestra.

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