segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Professora da UFMA resgata história de Paço do Lumiar.

Estou há 30 anos na Universidade, quase para me aposentar, e nunca havia visto essa iniciativa em um gestor público, de buscar a universidade, de buscar o Departamento de História da UFMA para resgatar a história de seu município. É um gesto de visão que vai movimentar muitos estudos, projetos e ações”. A declaração foi dada pela Profa. Dra. Antônia Mota, do Departamento de História da UFMA, após realizar palestra sobre as origens da cidade de Paço, nesta segunda-feira, 11, no Salão Paroquial da Igreja de Nossa Senhora da Luz, na sede de Paço do Lumiar.

A professora afirmou que é louvável a iniciativa do prefeito de Paço do Lumiar, Domingos Dutra (PCdoB), de unir o conhecimento científico com o saber das comunidades do município, principalmente da zona rural, todas descendentes de indígenas, europeus e africanos. O público da palestra foi formado principalmente por estudantes.

A historiadora da UFMA explicou que a Vila de Paço do Lumiar foi fundada por Joaquim de Melo e Póvoas, um dos mais atuantes governadores do Maranhão do período Colonial, que conhecia a localidade Paço do Lumiar perto de Lisboa, em Portugal, e identificou características em comum entre os dois lugares. “Ele achou o aspecto rural desta vila muito semelhante ao local de Lisboa e deu o mesmo nome a ela. Temos muitos documentos assinados como Vila de Paço do Lumiar”, destacou a professora.

ÍNDIOS TUPINAMBÁS

Durante a palestra, a professora Antônia Mota reconstituiu a história da Vila de Paço, desde os seus primórdios, quando ainda era habitada pelos índios Tupinambás. “A história de Paço do Lumiar sempre se confundiu com a de São Luís. O município se formou a partir da população indígena, em seguida vieram os portugueses e depois os africanos, que trabalhavam nos sítios, fazendas e propriedades da região. Descendentes desses primeiros habitantes ainda vivem aqui. É uma história secular de grande riqueza cultural”, informou a historiadora.

O prefeito Domingos Dutra assistiu atentamente à palestra da historiadora e ressaltou que este resgate da história é importante para o Município. “Os índios Tupinambás habitavam não somente em São Luís, mas aqui, em Alcântara, Guimarães e Icatu. Vejo crianças com características físicas de índios, principalmente em Tendal, Mojó e Iguaíba. Temos de resgatar essa história, mostrá-la aos descendentes”, afirmou Dutra.

RECONHECIMENTO HISTÓRICO

O prefeito destacou que Paço do Lumiar tem mais de 400 anos e nunca teve seu reconhecimento histórico. “A capela de nossa Senhora da Luz é de 1628 e nunca foi tombada. A Vila de Paço é de 1762 e também não é tombada. A gente anda pelas escolas do município e não há nada sobre a história local, nenhum registro. Mais de 70% dos mais de 170 mil habitantes de Paço não nasceram aqui. E mesmo os que nasceram aqui na Pindoba, Iguaíba, Mojó, Maioba, Tendal, Mocajutuba, Mercês, Pau Deitado, Timbuba sabem pouco de sua história, pois nenhum gestor se preocupou em fazer esse resgate”, relatou Dutra.

TOMBAMENTO

O prefeito reiterou que estão avançados os estudos para o tombamento da Vila de Paço e do projeto para a construção do santuário de Nossa Senhora da Luz. “O padre Franco está reconstruindo a história da santa e a professora Antônia Mota já tem um estudo bem extenso sobre o município. A nossa ideia é publicar o que já temos para distribuir nas escolas do município e do estado, mandar para bibliotecas, igrejas, entidades culturais”, informou Dutra.

Durante o resgate histórico do município, o prefeito lembrou que Paço do Lumiar é o maior produtor de frutas da Ilha por causa da sua cultura rural. “Essas frutas que se vende em praias de São Luís são principalmente de Iguaíba, terra habitada por índios e depois pelos africanos que foram trabalhar nas lavouras dos europeus”, detalhou o prefeito.

RIQUEZA CULTURAL

O prefeito Dutra destacou ainda as tradições culturais centenárias, como o Boi de Iguaíba, que tem 166 anos; o boi da Maioba, 120 anos, e o da Pindoba com mais de 100 anos. Citou ainda a maior mata de manguezais da Ilha, com grande produção de sarnambi, ostra, caranguejo, tarioba, sururu e peixes.

Somos um município de grandes riquezas culturais, religiosas e ambientais. Me sinto orgulhoso de estar dando este pontapé inicial e espero que os outros gestores que vierem depois de mim continuem esse resgate da história de Paço. Aos poucos, estamos dando visibilidade positiva a este município”, ressaltou Dutra.


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