terça-feira, 24 de maio de 2016

Diálogos gravados de Jucá (PMDB-RR) confirmam “operação abafa”. Já “conversou com ministros do STF” (?). Agora “Caiu a ficha do Aécio”.



Diálogos com mais de uma hora de duração (já estão em poder do Procurador Geral da República), do senador Romero Jucá (PMDB-RR), hoje ex-ministro do Planejamento de Temer, com o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, revelam o seguinte (segundo Rubens Valente (Folha):[1]

1) “Caiu a ficha” de líderes do PSDB – principalmente do Aécio – sobre o potencial de danos que a Operação Lava Jato pode causar em vários partidos; 

2) “Todo mundo na bandeja para ser comido”, diz Jucá; 

3) Sérgio Machado, que foi do PSDB antes de se filiar ao PMDB, afirma que “o primeiro a ser comido vai ser o Aécio [Neves (PSDB-MG)”, e acrescenta: “O Aécio não tem condição, a gente sabe disso, porra. Quem que não sabe? Quem não conhece o esquema do Aécio? Eu, que participei de campanha do PSDB…”; 

4) “É, a gente viveu tudo”, completa Jucá; 

5) Machado tenta refrescar a memória de Jucá: “O que que a gente fez junto, Romero, naquela eleição, para eleger os deputados, para ele [Aécio] ser presidente da Câmara [em 2001-2002]?”; 

6) Machado diz que a “situação é grave” porque “eles”, em referência à força tarefa da Lava Jato, “querem pegar todo mundo”; 

7) Jucá concorda, ironizando o plano. “Acabar com a classe política para ressurgir, construir uma nova casta, pura”, afirma; 

8) “Só Renan que está contra essa porra [de levar Temer para a Presidência da República]. ‘Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha’. Gente, esquece o Eduardo Cunha. O Eduardo Cunha está morto, porra”, afirma Jucá no diálogo; 

9) “O Renan reage à solução do Michel. Porra, o Michel, é uma solução que a gente pode, antes de resolver, negociar como é que vai ser. ‘Michel, vem cá, é isso e isso, isso, vai ser assim, as reformas são essas'”, disse Jucá ao ex-presidente da Transpetro; 

10) Machado: “O Renan é totalmente ‘voador’; 

11) Jucá então completa: “Tem que ser um boi de piranha, pegar um cara, e a gente passar e resolver, chegar do outro lado da margem” [sugere que havendo um boi de piranha, tipo Eduardo Cunha, que tudo seria acomodado); 

Pacto para estancar a sangria da Lava Jato 

12) Nas conversas de março/16 (quando publiquei aqui um artigo aventando a possibilidade dessa operação abafa tudo), Jucá sugeriu ao ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado que uma “mudança” no governo federal resultaria em um pacto para “estancar a sangria” representada pela Operação Lava Jato, que investiga ambos; 

13) Machado (que está preocupado que seu processo/investigação saia de Brasília e vá para o juiz Moro) disse: “O Janot está a fim de pegar vocês. E acha que eu sou o caminho. […] Ele acha que eu sou o caixa de vocês” [Machado sugere que poderia eventualmente fazer delação contra a cúpula do PMDB); 

14) Machado fez uma ameaça velada e pediu que fosse montada uma “estrutura” para protegê-lo: “Aí fodeu. Aí fodeu para todo mundo. Como montar uma estrutura para evitar que eu ‘desça’? Se eu ‘descer’…”; 

15) Mais adiante, ele voltou a dizer: “Então eu estou preocupado com o quê? Comigo e com vocês. A gente tem que encontrar uma saída”; 

16) Machado disse ainda que novas delações na Lava Jato não deixariam “pedra sobre pedra”; 

17) Jucá concordou que o caso de Machado “não pode ficar na mão desse [Moro]”; 

18) O atual ministro afirmou que seria necessária uma resposta política para evitar que o caso caísse nas mãos de Moro. “Se é político, como é a política?; 

19) Jucá: “Tem que resolver essa porra. Tem que mudar o governo para estancar essa sangria”; 

20) Machado respondeu que era necessária “uma coisa política e rápida”; 

21) “Eu acho que a gente precisa articular uma ação política”, concordou Jucá, que orientou Machado a se reunir com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e com o ex-presidente José Sarney (PMDB-AP). 

22) Machado quis saber se não poderia ser feita reunião conjunta. “Não pode”, disse Jucá, acrescentando que a ideia poderia ser mal interpretada; 

23) O atual ministro concordou que o envio do processo para o juiz Moro não seria uma boa opção. “Não é um desastre porque não tem nada a ver. Mas é um desgaste, porque você, pô, vai ficar exposto de uma forma sem necessidade”; 

24) Jucá ainda chamou Moro de “uma ‘Torre de Londres'”, em referência ao castelo da Inglaterra em que ocorreram torturas e execuções entre os séculos 15 e 16. Segundo ele, os suspeitos eram enviados para lá “para o cara confessar”; 

25) Jucá acrescentou que um eventual governo Michel Temer deveria construir um pacto nacional “com o Supremo, com tudo”. 

26) Machado disse: “aí parava tudo”. “É. Delimitava onde está, pronto”, respondeu Jucá, a respeito das investigações; 

Conversas com ministros do STF 

27) O senador relatou ainda que havia mantido conversas com “ministros do Supremo”, os quais não nominou; 

28) “A saída de Dilma pode pôr fim das pressões da imprensa e de outros setores pela continuidade das investigações da Lava Jato”; 

29) Jucá afirmou que tem “poucos caras ali [no STF]” aos quais não tem acesso e um deles seria o ministro Teori Zavascki, relator da Lava Jato no tribunal, a quem classificou de “um cara fechado”; 

30) “Machado presidiu a Transpetro, subsidiária da Petrobras, por mais de dez anos (2003-2014), e foi indicado “pelo PMDB nacional”, como admitiu em depoimento à Polícia Federal. No STF, é alvo de inquérito ao lado de Renan Calheiros. Dois delatores relacionaram Machado a um esquema de pagamentos que teria Renan “remotamente, como destinatário” dos valores, segundo a PF. Um dos colaboradores, Paulo Roberto Costa disse que recebeu R$ 500 mil das mãos de Machado”[2]. 

31) “Jucá é alvo de um inquérito no STF derivado da Lava Jato por suposto recebimento de propina. O dono da UTC, Ricardo Pessoa, afirmou em delação que o peemedebista o procurou para ajudar na campanha de seu filho, candidato a vice-governador de Roraima, e que por isso doou R$ 1,5 milhão. O valor foi considerado contrapartida à obtenção da obra de Angra 3. Jucá diz que os repasses foram legais”[3]. 

Temer foi criticado por nomear em seu ministério políticos (como é o caso do Romero Jucá) que estão sendo investigados na Lava Jato. Temer é politicamente responsável por essas nomeações. Temer é a continuidade perfeita do extrativismo cleptocrata brasileiro. É o retrato perfeito do “governo de ladrões”, que terá duração curtíssima, menor do que o segundo mandato de Dilma, que também conviveu com a podridão extrativista das elites econômicas que sempre estiveram junto com as oligarquias políticas para saquear o país, deixando a maioria da população na desgraça e na miséria. 

Jucá, evidentemente, tem que ser exonerado e aí começa o desmantelamento do governo Temer. O STF deve urgentemente designar uns 5 juízes auxiliares para cada Ministro para cuidar do assunto Lava Jato, porque o Brasil precisa enterrar (dentro da lei) a tradição extrativista de governar o país. Em todo momento os cleptocratas invocam “os nomes dos ministros”, o que exige uma reação firme e imediata, para se salvar a honorabilidade da Magistratura.

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