segunda-feira, 18 de abril de 2016

Por que Sarney e Roseana odeiam Dilma Rousseff?

Como já diria a letra de Beth Carvalho: “Você pagou com traição a quem sempre lhe deu mão”. Sarney e Roseana se articulam para voltar ao poder no Brasil e no Maranhão no embalo da traição do PMDB


A postura adotada pela família Sarney no processo que pede o afastamento de Dilma não chega a surpreender os mais atentos observadores políticos. Desde que surgiu a aliança Lula-Sarney, esse casamento foi muito mais forjado no interesse no que na igualdade de ideias. Apesar das aparências enganarem, um sempre andou de nariz torto para o outro, assim como Roseana nunca suportou Dilma e vice-versa.

Em 2002, Lula é eleito. Nessa época, o então presidente prefere governar com os partidos pequenos como PMN, PP, PTB, PL, PCdoB com medo que o PMDB se torne um monstro dentro do próprio governo e crie uma poder paralelo. No mesmo ano, Roseana é eleita senadora pelo PFL e se torna uma das líderes do governo no Senado, com o nítido interesse de ser ministra – já estava rompida com seu partido.

Dois anos depois, Roseana chegou a ser cogitada para assumir o Ministério das Comunicações ou das Cidades, já pensando nas eleições de 2006 e cogitando uma saída do PFL, inclusive a então ministra Dilma teria feito o convite. Mas essa especulação nunca se confirmou, depois uma tentativa de reforma ministerial no governo que fracassou.

No mesmo ano estoura o escândalo do Mensalão, Lula percebe que é preciso repactuar seu governo, já que os nanicos não davam a sustentação. Neste período é que surge a aliança PT/PMDB que duraria até o mês passado. Na época, o senador José Sarney fez uma ampla defesa do presidente Lula. “Quando atacavam pedras em mim, essa mulher e o pai dela estiveram ao meu lado e me defenderam”. “Amigo a gente conhece é na hora da doença”, disse Lula.

Em 2006, Roseana se candidata ao governo do Maranhão, com o apoio de Lula que buscava a reeleição, mas perde para Jackson Lago. O resto da história todo mundo conhece, Sarney e Lula conseguem cassar o mandato de Lago.

Nos dois mandatos de Lula, ninguém teve tanto espaço quanto Sarney. Em toda reunião para tratar de reforma ministerial os dois estavam lado a lado. Sarney em oito anos controlou os ministérios das Minas e Energia, do Turismo, a Eletrobrás e a Eletronorte com Silas Rondeau. Nesses anos, a maioria dos cargos federais no Maranhão cedidos pelo PT foram dados a Sarney.

Em 2009, vem o escândalo dos atos secretos no Senado. Sarney, que era o presidente, foi cercado por um oceano de acusações, indícios e evidências de abusos, desmandos e uso do cargo em benefício próprio, de parentes, aliados e amigos. Mesmo com a lama jogada na mídia, Lula se empenhou em minimizar as denúncias e disse para o país inteiro, “Sarney tem história para que não seja tratado como pessoa comum”.

Um ano depois, Lula montou um esquema de estelionato eleitoral quando veio ao Maranhão anunciar a construção da Refinaria Premium da Petrobras, em Bacabeira, apenas para ajudar na eleição de Roseana. A Refinaria não passou de promessa e hoje no local só resta muito mato e o sonho de muitos comerciantes que tiveram prejuízos com investimentos sonhando no crescimento da cidade.

A situação começou a mudar com a eleição de Dilma. Se antes Lula era assíduo no Maranhão, com a nova presidente as aparições no Estado foram raras.

Desde o começo do seu governo a presidente tratou de afastar José Sarney. O primeiro ato concreto foi varrer todas as pessoas ligadas a Sarney do setor da energia, historicamente comandado pelo maranhense desde Itamar Franco. Foram retirados diretores da Eletrobrás, da Eletronorte e por fim Edison Lobão que foi substituído na época por Márcio Zimmermam.

A indicação de Flávio Dino para a presidência da Embratur, principal adversário do grupo, também foi um aceno de que as coisas mudariam.

Essa crise de relacionamento principalmente entre Roseana e Dilma cresceu depois que a então governadora do Maranhão. Em 2011, deu uma bronca em três ministras, entre elas Maria do Rosário da Secretária de Direitos Humanos, que vieram contornar uma crise no Incra que estava ocupado por índios Awá Guajá. Dilma não engoliu a atitude de Roseana e numa conversa por telefone teria dito: “Você respeita minhas ministras. Quem você pensa que é para tratar meu governo desse jeito”.

Esse processo todo de desgaste culminou com a crise atual política, depois de Lula prestar tanto apoio ao grupo Sarney a recompensa foi uma apunhalada nas costas quando o ex-senador, durante encontro com senadores do PMDB, declarou, “acabou (o governo). É como Café Filho, Getúlio e Collor”. Semanas depois foi à vez de Roseana decretar o fim desta aliança, “estou acompanhando o partido. Está no timing certo. Era uma questão só de decisão”.

Mais uma vez o que está em jogo é a manutenção do poder, o grupo percebeu que fatalmente a permanência de Dilma diminuiria as forças do grupo Sarney, e Flávio Dino alcançaria o posto de grande aliado no Maranhão. Ao decidir apoiar o impeachment, num eventual governo Michel Temer, Sarney voltaria a comandar a energia no país, Roseana que nunca se afastou da vida política já teria como promessa um ministério.

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