segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ENEM: respostas objetivas para perguntas subjetivas

O ENEM de 2015 foi bastante criticado por pessoas que fizeram a prova e por indivíduos que, simplesmente, viram algumas de suas questões.

Um dos pontos mais apontados foi uma suposta doutrinação, sobretudo na citação da famosa feminista Simone de Beauvoir: “ninguém nasce mulher, torna-se”.

É claro que, da referida frase, pode-se extrair uma série de conclusões; mas o atual quadro do país e os discursos LGBTs acabaram dando uma conotação não muito agradável ao sentir de alguns: seria possível um homem tornar-se mulher, bastaria escolher.

Tal conclusão é absurda no aspecto biológico e científico; afinal, mulher é devidamente definida pela ciência. A reprodução humana, basicamente sexuada, exige a presença do homem e da mulher, XX e XY, gameta e zigoto, e isso não se discute.

Tem-se como questionável a citação de feministas fervorosas em provas que buscam, unicamente, extrair do estudante seu conhecimento e selecionar os mais bem preparados para adentrar no Ensino Superior.

Não que a intenção do Ministério da Educação na formulação da prova tenha sido, de fato, doutrinar. Não sou adepto de "teorias conspiratórias comunistas".

Todavia, impende salientar que a doutrinação é um fato. Basta verificar a legislação eleitoral que, aliás, obriga os Partidos Políticos a destinar parte do fundo partidário à doutrinação.

Sabe-se que a doutrinação está, mais do que nunca, impregnada no ensino do país; todavia, para tudo há um momento: utilizar-se de testes seletivos para plantar ideias na cabeça de pessoas em desenvolvimento não é adequado.

Independentemente do mérito da questão, é certo que tais perguntas trazem à tona outro ponto relevante sobre provas em geral: certo x errado em questões objetivas.

A problemática não é de hoje; por muito tempo as bancas vêm cobrando questões controversas, com dois ou três entendimentos diferentes, em questões objetivas.

Quando o assunto é ideológico, a divergência fica ainda mais acirrada: como pode alguém, em uma questão objetiva, exigir a resposta certa para uma questão subjetiva?

Afinal, para questões subjetivas, o certo e o errado é uma questão de perspectiva. Dois mais dois são quatro: embora seja um dogma contestável por alguns, dificilmente haverá como divergir em uma questão objetiva dessa espécie.

Mas quando se põe em jogo ideologia, bom, ai o buraco é mais embaixo.

Afirmar, por exemplo, que o desenvolvimento da indústria prejudicou o mundo, trazendo desemprego à sociedade, é absurdo; isso mina toda e qualquer possibilidade de termos uma sociedade empreendedora.

A sociedade é formada por oferta e demanda. Não podemos criar demandas desnecessárias para empregar quem não precisaria ser empregado, simplesmente por empregar. As pessoas devem buscar seu espaço, e não o contrário.

Imaginem se o país ainda vivesse da forma como era antes da revolução industrial? Com certeza, não estaríamos sentados na frente de um computador; no lugar da energia elétrica que ilumina sua mesa, provavelmente, haveria um lampião.

Nada contra a luz de lampião, mas o tempo passa, e a sociedade evolui, inclusive tecnologicamente. E a sociedade? Bom, essa acompanha o desenvolvimento.

Questionar coisas assim, tão subjetivas e ideológicas, faz com que o nosso país, que já é atrasado no âmbito educacional, crie cada vez menos uma perspectiva racional.

Enquanto países como a Coréia do Sul estão se preocupando com complexos cálculos matemáticos, com a criação de novas invenções eletroeletrônicas; nós estamos tentando trazer à tona pensamentos marxistas sem qualquer práxis; pensamentos que já fracassaram ao redor do mundo e não trouxeram nada além de miséria e arbitrariedade.

Cumpre ressaltar que o tema da redação, de fato, foi relevante: sabe-se que a violência contra a mulher é um tema importante no país. Pensar nos problemas e buscar as soluções é salutar.

Mas criticar por criticar não dá!

Também não dá para impor a sua verdade a ninguém.

O ENEM deveria ser um teste para exigir os conhecimentos daquele que pretende ingressar na faculdade, e ponto final.

A sociedade brasileira precisa se unir; não é a hora para fomentar, ainda mais, a absurda ideia de luta de classes, caso contrário, iremos, de fato, sucumbir.

Cobrar subjetividades e ideologias em questões objetivas é impor como verdadeira e dogmática uma ideia controversa, questionável e relativa.

Por Hyago de Souza Otto

Nenhum comentário:

Postar um comentário