domingo, 18 de outubro de 2015

Através do rádio: Avó de 70 anos reencontra, no Maranhão, neto desaparecido há mais de 20 anos.

O radialista Udes Filho (chapéu branco), ao lado de Esdras Santos, sua tia que o criou como mãe, seu primo e o ouvinte Ricardo Thebas, que levou o comunicador até a casa onde vive o jovem.
Eram 21 horas, da quinta-feira (15), quando o apresentador de um dos programas de rádio mais ouvidos da cidade de Raposa, no Estado do Maranhão, Udes Filho, 35 anos, ligou o notbook para acessar seus perfis nas redes sociais. No facebook, havia um pedido de amizade de uma pessoa identificada como Keyla Regina Nóbrega, do município de Lago da Pedra, também no Maranhão. O radialista aceitou o convite, adicionando a moça à sua rede de amigos virtuais, sem imaginar o que viria a acontecer em menos de 24 horas depois.

Keyla Regina Nóbrega
Ao ser aceita como amiga no facebook, Keyla foi logo desejando boa noite e dizendo: “Udes Filho só você pode me ajudar”, “Você tem que me ajudar”. As mensagens assustaram o comunicador, no primeiro momento, mas, ao mesmo tempo, aguçaram sua curiosidade. “Fiquei assustado, mas bastante curioso em saber os motivos que levavam aquela pessoa a me procurar daquela forma, tão inesperada”, disse.

Aos poucos, Keyla Regina, de 27 anos, professora de inglês, no município de Lago da Pedra, foi explicando a situação e prendendo a atenção do comunicador.

Keyla começou a contar a história do jovem Esdras Santos Nóbrega, 24 anos, que saiu com a mãe, Iraildes Chagas Santos, de Belém do Pará, para o Maranhão, quando tinha pouco mais de dois anos e até a sexta-feira (16), não havia mais tido qualquer contato com a família do pai, Nailton Fernandes Nóbrega, 43 anos.

A professora, que na verdade é esposa de Edinaldo Nóbrega, 38 anos, tio do jovem até então desaparecido, explicou que a mãe do Esdras, na época, enfrentando problemas no relacionamento com o marido, decidiu vir para o Maranhão, trazendo o filho, há mais de 20 anos. E durante duas décadas a família paterna e o jovem Esdras ficaram sem qualquer contato.

Edi Fernandes Nóbrega
Keyla contou que nos últimos anos, o pai e a avó começaram uma busca pelo jovem desaparecido, de maneira mais intensa, mobilizando toda a família em Belém do Pará e em Lago da Pedra, no Maranhão.

Fiquei com Esdras acho que até os nove meses de vida dele e aquele meu neto preencheu a minha vida. Sempre pensei nele, sempre senti a sua falta e não queria morrer sem antes dar um abraço bem forte no meu neto”, disse Edi Fernandes Nóbrega, 70 anos, avó.

Vasculhando nas redes sociais de internet, como Badoo e facebook, familiares do jovem começaram a ter os primeiros indícios de que Esdras poderia estar morando no município de Raposa, na região metropolitana da capital, São Luís.

Esdras Santos Nóbrega
Localizamos o perfil dele no Badoo e, em seguida, no Facebook, mas não consegui contato com Esdras já que ele nunca se encontrava online, nem respondia às mensagens. Nós tínhamos esperança de que fosse ele mesmo, mas não dava para ter certeza, pois ele saiu de Belém ainda muito pequenino”, desabou Keyla.

Sem conseguir contato com Esdras pelas redes sociais, Keyla resolveu tentar contato com os amigos do jovem no facebook, mas todas as pessoas acionadas disseram não conhecer o rapaz e nem ter ideia de como estavam como amigos dele na rede social.

Mas a longa procura e a angustia do pai, avó, tios e irmãos e, até mesmo, do próprio Esdras, que também sonhava em ter contato coma família do pai, começava a chegar ao fim quando Keyla conseguiu falar com a jovem Andressa Cruz, que está entre os amigos de facebook do Esdras.

Andressa explicou para Keyla que não conhecia o rapaz, mas que sabia de alguém que poderia lhe ajudar neste caso. A jovem a orientou a procurar o radialista, jornalista e blogueiro Udes Filho, que comanda um programa que leva o seu nome [Programa do Udes Filho], de segunda à sexta-feira, das 10 ao meio dia, considerado uma das maiores audiências do rádio na cidade. Em seu programa, Udes conta com um quadro chamado “Missão Impossível”, onde ele realiza tarefas consideradas difíceis. O caso da Keyla se encaixou perfeitamente ao quadro.

E, na noite da ultima quinta-feira, 15 de outubro, o final feliz desta novela começou a ser desenhado pelo comunicador. Udes colheu todas as informações possíveis sobre o caso e começou a conversar com seus ouvintes em diversos grupos das redes sociais Whatsapp e Facebook e, ainda na noite de quinta-feira, já tinha noção de onde poderia morar o rapaz tão procurado pela família de Belém.

Na sexta-feira, dia 16, ao começar o seu programa, sem explicar os detalhes, Udes começou a falar que precisava encontrar um jovem de 24 anos, chamado Esdras Santos Nóbrega, filho de Iraildes Chagas Santos e neto de Luzia Chagas Santos. Foi quando os ouvintes do programa se mobilizaram e formaram uma verdadeira rede de informações, por telefone e nas redes sociais.

A ouvinte Denildes Silva, 39 anos, tratou de divulgar a foto que acreditávamos ser do Esdras procurado pela família de Belém e ai começamos a movimentar toda a cidade em busca do rapaz”, explicou Udes.

Em menos de meia hora, o Programa do Udes Filho, com a ajuda de seus ouvintes, conseguiu chegar ao neto de dona Edi.

Udes Filho foi até o local onde mora Esdras, que foi criado por uma tia, que o trata como filho. O rapaz vive num casebre de pouco mais de 12 m², construído com papelão e adobe [tijolo artesanal de terra crua, água e palha], juntamente com a tia, seu esposo, dois primos e um irmão, no bairro Vila Maresia. Estava confirmado, era ele o jovem que a família Nóbrega tanto procurou.

Este foi, talvez, o momento mais emocionante da minha vida profissional. Coloquei o Esdras para falar, pelo celular, com a Keyla, em Lago da Pedra, depois com um tio em Belém e, por ultimo, com a avó, dona Edi. Não há como descrever a emoção que vi no olhar daquele rapaz, enquanto falava com os parentes e, principalmente, durante sua conversa com a avó”, desabafou Udes Filho.

Neto e avó conversaram por um bom tempo e revelaram carregar o mesmo desejo nos corações: de que não morressem antes se conhecer.

A família de Belém, ainda auxiliada pelo radialista, tenta agora regularizar os documentos do rapaz, que parou de estudar na antiga 8ª série do 1º grau e não tem documentos.

A intenção da família é levar Esdras para Belém, para conhecer o pai, a avó e todos os outros parentes e, além disso, proporcionar uma vida com mais oportunidades, dando chances para que o jovem possa ter um futuro melhor. Vamos ajudar no que for possível”, disse Udes.

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