quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Paço do Lumiar: Juventude, violência e políticas públicas.

A triste realidade da juventude de Paço do Lumiar.
Nos últimos anos, a violência atribuída aos jovens em Paço do Lumiar tem adquirido importância econômica, política, social, cultural, de saúde pública, e acredita-se que refletir sobre o tema juventude-violência implica pensar em políticas públicas. O município vive hoje um dos piores indicadores em relação a políticas públicas voltada aos jovens luminenses, um reflexo disso é o aumento da criminalidade na cidade, quase 95% são praticados por jovens.

Diante desse quadro assustador, os gestores municipais precisam enxergar com maior grau de preocupação, a situação que a juventude luminense vive hoje. O que se ver ao longo dos anos em termos de políticas públicas direcionadas à juventude, se limitou apenas em ações no campo das instituições educacionais, com práticas didático-pedagógicas de preparação para a vida adulta.

A preocupação com a juventude é recente. Porém, os gestores de Paço do Lumiar estão de olhos fechados para esta realidade, precisamos urgentemente empreender políticas públicas que contemplem interesses e necessidades dos jovens, com norteadores essencialmente de caráter público, que possibilitam a realização de sonhos, a elevação da pessoa à condição de sujeito e a concretização de expectativas de futuro aos jovens, dentro do modelo de sociedade em que vivemos.

Contudo, para se elaborar um conjunto de ações as quais contemplem o que chamaremos de políticas públicas direcionadas à juventude, não se pode partir de receita pronta e acabada, vinda de cima para baixo. Por não existir receita, devemos tomar os seguintes cuidados: 
  • A violência não é privilegio das classes populares, embora estas estejam mais suscetíveis a ela; 
  • As ações devem ultrapassar o universo da educação e do esporte, sem a intenção de reprimir a juventude ou suas práticas; 
  • Não há como formular transformações significativas, dentro da lógica do mercado e do capital, sem minimizar seus efeitos de individualização, de consumo e de competição; 
  • Ações políticas que valorizem o reconhecimento do “outro”, do coletivo e da dignidade humana; 
  • Resgatar o sentido de um projeto pessoal e coletivo de vida, na experiência juvenil em nossa sociedade.
Cabe enfatizar que precisamos, com devida urgência, elaborar um conjunto de ações, marco de políticas públicas à juventude, em diversas frentes, inclusive fora das demarcações voltadas à formação para o mercado, que viabilize a emancipação, a singularidade e a autonomia do sujeito e “proprietário” de seu próprio destino e processo histórico.

O município de Paço do Lumiar está muito longe de equacionar a violência juvenil. É o que falam os jovens, em forma de silêncio traduzido em suicídio, uso de álcool, excessos, agressões, uso de drogas, indisciplinas e mortes.

Os noticiários estão repletos de fatos que comprovam o abandono em relação aos jovens luminenses, e o poder público calado diante do massacre que nossa juventude vivencia.

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