domingo, 18 de maio de 2014

“Água para Todos” é debatida no Oeste maranhense.

Em reuniões em Bom Jesus das Selvas e Amarante, Diálogos pelo Maranhão debate programa para levar água a todos os municípios maranhenses.
 
O Diálogos pelo Maranhão discutiu, este final de semana, o programa que levará água para a casa de todos os maranhenses em Bom Jesus das Selvas. Lideranças políticas e religiosas, professores, trabalhadores rurais e população destacaram a falta de abastecimento como prioridade do município. Em Amarante, o movimento recebeu milhares de pessoas para discutir o Maranhão, na cidade apurou como demandas dos moradores a ampliação e melhoria da rede de ensino, além da mediação com a questão indígena.

Os coordenadores do Diálogos Flávio Dino (PCdoB) e Roberto Rocha (PSB) discutiram as propostas lançadas pela oposição para desenvolvimento econômico e social do estado. Flávio assumiu o compromisso de garantir abastecimento de água que hoje falta em Bom Jesus das Selvas. "A sonegação de um direito fundamental como esse tira a qualidade de vida das famílias”, afirmou o pré-candidato a governador. “Também há um grande problema de erosão que ameaça inclusive engolir a cidade e que vem avançando ao logo dos anos, sem nenhuma intervenção. Por isso, nós incorporamos ao nosso Programa de Governo, além da construção do hospital, que está há muitos anos inconcluso”.

Na cidade, Flávio Dino recebeu um documento das mãos da ex-prefeita da cidade, Maria Lira, hoje da diretoria do PT de Bom Jesus das Selvas. O protocolo de intenções sugere que o bem que gera vida seja tratado como prioridade. "É uma luta histórica do povo Bonjesuense em prol da água potável. Os serviços implantados pela Caema não atendem a necessidade da população. Pedimos o desenvolvimento da melhoria da qualidade de vida da população da cidade e do campo em relação ao abastecimento de água potável", relatou.

Creuza Lima, dona de casa, reclamou da falta de água no município e pediu por mais oportunidades de emprego. Há três meses sem água na torneira, para consumir precisa comprar água e para lavar roupa tem que ir ao rio. Os preços da água variam de R$5 para 20l até R$100 o caminhão pipa. "Lá em casa somos cinco pessoas, meu marido trabalha na roça e fazendo cerca de arame. Às vezes passa dois meses fora e ganha R$1 mil. Nossa cidade é muito carente", disse. O professor Willams Silva destacou também a necessidade de reforma na infraestrutura da escola de ensino médio, onde leciona. Segundo ele, a estrutura é muito antiga e não há reforma por falta de recurso.

Dida do PT, representante do Movimento Sem Terra, chamou a atenção para o assentamento de 2.600 famílias que vivem no município sem água e energia. "Temos muitas dificuldades no nosso município. Crianças sem transporte escolar, que atravessam a BR pra ir à escola, que andam três a quatro quilômetros para chegar à escola. Nosso povo sofre com o abandono", reclamou. O assunto também foi tratado por Fernando Coelho, liderança política do município. Ele relatou o problema da erosão em parte do território de Bom Jesus das Selvas, que expulsou os moradores da área e ocasionou a formação do assentamento. "Temos nove hectares resolvidos, com a terra cedida pela União, mas que precisa dar condições à população, que hoje vivem sem água e energia", pediu.

Vice-prefeito da cidade, Abdala Filho (PTB), os vereadores Renatinho (PTB), Manoel Firmino (PR), Claudio Joel (PRB), Dr Abdala (PTB) e Irineu (PP), também participaram do movimento Diálogos pelo Maranhão. Eles reforçaram o pedido por abastecimento de água e pediram por políticas públicas de saúde e educação. Além disso, falaram da dificuldade que a população enfrenta para utilizar serviços bancários, uma vez que o município não dispõe de nenhuma agência. Quando precisam sacar os benefícios sociais, como o Bolsa Família, vão a Açailândia, cidade mais próxima. Outra demanda apresentada foi o término da construção do hospital e também o reforço para a segurança, já que o município conta apenas com dois policiais.

A vereadora Letícia Lira (PSDC) mostrou a união dos partidos em Bom Jesus das Selvas. Ela disse que os partidos entendem que é uma causa justa, por um Maranhão de todos nós, e que vale a pena. "Nas eleições, vamos ter um reflexo de tudo que o município almeja e espera de um Maranhão diferente. Estamos cansados de um governo que não consegue resolver os problemas", reforçou. O presidente da Câmara, Teíde (PRB), também destacou a união política e da população. "O Maranhão é sempre lembrado na imprensa nacional e até internacional por algo negativo. Hoje temos a oportunidade de mudar esse cenário. Todas as alianças políticas de Bom Jesus das Selvas e a população estão unidas em um único propósito, de mudar o Maranhão, apoiando a pré-candidatura de Flávio Dino", analisou.

CIDADE DE AMARANTE 



Em Amarante, uma multidão esperava pelo Diálogos pelo Maranhão. No discurso de lideranças políticas e população, o desejo de mudança para o estado, com desenvolvimento e justiça social. Vicente Pereira, de 60 anos, morador de Amarante, pediu por estrada e saúde. "Aqui não tem estrada. Quando precisamos de saúde vamos à Imperatriz para se tratar. Só tem uma escola de ensino médio e sem infraestrutura para os alunos. Temos muita confiança no Flávio Dino, que ele vai trabalhar para mudar o Maranhão", acredita. Sobre educação, a professora Socorro Félix falou do atraso das aulas e falta de oportunidade para os jovens. "Quem não tem como pagar uma faculdade volta para a roça porque não tem como continuar os estudos", disse.

Vereadores do município também declararam a necessidade da mudança política no Maranhão, entre eles, Cleiva, Azevedo, Cristina, Sena e Magno Benedito. Nas falas, a confiança nas propostas apresentadas por Flávio Dino, o pedido pela intermediação com a questão indígena, infraestrutura e saúde. Amarante possui sete mil e 500 quilômetros quadrados de território, sendo que 54% pertence às comunidades indígenas dos Gaviões e Guajajaras.

"Há possibilidade de ampliação dessas terras indígenas, onde ficaríamos reduzidos a cerca de 20% do nosso território. Nossa Amarante é muito produtiva, quem habita nessa região são pequenos produtores, que tiram a renda da terra. O que precisamos não é dar mais terra para nossos irmãos índios, mas dar melhores condições de vida, políticas sérias voltadas para elas. Queremos uma politica séria", disse Marconi Gomes, liderança política do município.

João Batista, vereador pelo PSD, criticou a falta de escolas para atender a demanda da população e a necessidade de estradas interligando Amarante a cidades vizinhas. Com 40 mil pessoas, o município conta com apenas uma unidade de ensino médio. "É um clamor da juventude a infraestrutura e qualidade do ensino. Além disso, temos o anseio de duas estradas, uma ligando a Sítio Novo, 42km, e outra a Bom Jesus das Selvas, que ajudariam o escoamento da produção, pecuária e agricultura", contou, destacando que a produção de gado bovino em Amarante é a segunda maior do estado.

Para Flávio Dino, o Governo do Estado tem que estar presente, sobretudo, para dialogar e mediar conflitos de regularização de terras. "Queremos que o estado se desenvolva em paz. Essa questão fundiária é de grande importância. Precisamos regularizar todas as terras, garantir apoio aos assentamentos, à produção, respeitar o direito dos índios, quilombolas. O Maranhão é muito grande e com generosidade e bom governo é possível compatibilizar todos os interesses em um projeto de desenvolvimento e justiça social, que é o que nosso governo propõe", afirmou.

O deputado Weverton Rocha (PDT) propôs uma mesa de diálogo com o Ministério Público Federal (MPF), o Ministério da Justiça, Prefeitura, Câmera de Vereadores e Governo do Estado para mediar esses conflitos.

Participaram do Diálogos pelo Maranhão os deputados estaduais Valéria Macedo (PDT), Raimundo Cutrim (PCdoB), Marcelo Tavares (PSB), o deputado federal Domingos Dutra (SDD), o vice-prefeito de Imperatriz, Pastor Porto (PPS), o ex-prefeito de Porto Franco, Deoclides Macedo (PDT) e o presidente do Sindicato de Professores do Estado do Maranhão, Julio Pinheiro.

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