domingo, 6 de abril de 2014

Existe uma grande diferença entre o sujeito ser um mau político e ser uma má pessoa.

Rilton Silva - Blogueiro
Não é raro eu criticar, no blog, as ações de algum político de Paço do Lumiar, ou fazer campanha para um adversário dele, e ao encontrá-lo pessoalmente, cumprimentar e bater papo numa boa. Percebi que isso costuma espantar meus amigos e colegas, quando presenciam a cena. É que, na vida diária, temos o costume de não criticar as atitudes de ninguém – ou criticar pelas costas, veladamente. Um embate aberto significa quase sempre a ruptura da amizade, um clima de discórdia.

Na política, nada disso ocorre. Enquanto as ações das pessoas comuns têm consequências normalmente limitadas a elas mesmas ou aos mais próximos, a crítica é algo opcional, que se faz por maldade ou com interesse. A ação do político tem alcance social, é socialmente importante. Cabe criticar quando é errada ou danosa.

Pô, Rilton Silva – perguntam vocês – se o cara faz uma coisa ruim, ele é um mau-caráter, né?

Nem sempre.

Assim como em qualquer área, o fato de alguém no governo fazer uma besteira deve-se a diversos fatores: desinformação, uma visão equivocada de uma determinada realidade, ou até a impressão de que "não vai dar nada". Sim, porque o sujeito sofre pressões e eventualmente cede a quem o apoia, aos aliados, a quem está na volta – e escolhe algumas válvulas de escape para os interesses dessa gente. Transige com a falta de ética num ponto achando que não vai acontecer nada, e às vezes acontece.

Claro, políticos e detentores de cargo também são guiados por emoções como todo mundo. As mais comuns são a vaidade e o orgulho. A arrogância. Não é porque um sujeito quer ter poder, e consegue obtê-lo, que ele está pronto para arcar com suas responsabilidades. Políticos são pessoas, e a maioria deles – como a maioria do povo – não são imbuídos de grande sabedoria ou de uma mente madura o bastante para precaverem-se contra eles mesmos.

Todo mundo tem aquele tio que faz bobagem. É impossível não concluir que alguns desses tiozões estão no poder, fazendo bobagem.

E por fim, o conceito de "bobagem" ou "maldade" é, em muitos casos, relativo – o que é eu considero ruim, pode ser bonito na visão de outra pessoa.

É por isso que é perfeitamente possível criticar publicamente as ações de um político, fazer até campanha eleitoral contra ele, por achar que o projeto que ele representa não é o melhor, e no entanto, não ter nada contra a pessoa dele – ser até amigo e bater papo com ele numa boa. E elogiar quando faz alguma coisa digna de elogio.

Se há algum adolescente lendo este texto, deve estar meio decepcionado comigo. Se eu, aos 18 anos, lesse isso me decepcionaria, com tamanha leniência para com essa gente toda. Mas se há uma coisa que o tempo ensina é que o mundo não é preto e branco – a maior parte dele é de tons de cinza, seguidamente inidentificáveis. Mas assim é a vida.

Não se pode pegar briga pessoal com as pessoas, por causa de política. Pode-se pegar inimizade por alguma ação de falta de ética, de mau-caratismo mesmo. Mas aí é diferente. Até no esporte existem os maus esportistas, que jogam sujo. Mas a maioria não joga sujo e, contrário ao que o povão pensa, a maioria dos políticos é movida por boas intenções e desviada da rota por vaidades e compromissos. Muito poucos são sociopatas declarados que entram para fazer o mal, deliberadamente.

E quem pessoaliza o debate político, ou é muito ignorante, ou pueril (como esses meninos que ficam trocando ofensas no Facebook, porque apoiam candidatos diferentes), ou é um mal intencionado, um psicótico, um doente da cabeça. Quem pessoaliza a coisa não sabe jogar o jogo. Seria melhor que saísse do campo para não atrapalhar.

O diálogo e a racionalidade entre as pessoas envolvidas na política é importante, também, para manter portas abertas. O inimigo de hoje pode ser o aliado de amanhã.

Um comentário:

  1. JOÃO DE DEUS - MOV. SOS. P. LUMIARquarta-feira, abril 09, 2014

    REALMENTE RILTON, SEU COMETARIO PARECE COM A PARABULA DO "JOIO COM O TRIGO", O JOIO É O CARATER DO MAU POLITICO, E O TRIGO É ELE NA SUA PERSONALIDADE DIARIA, AMIGO, BOM VIZIHO E COMPANHEIRO, ATÉ POR QUE NA QUALIDADE DE JOIO, ELE SE ACOMPANHA COM FALSAS AMIZADES, OS FALSOS ALIADOS, QUE COMO RATOS, O PRIMEIRO BAQUE DO NAVIO SÃO OS PRIMEIROS A PULAREM, ESQUECENDO ELES DO TRIGO, OU SEJA, DOS VERDADEIROS AMIGOS, ALIADOS, QUE FORAM PRAS LUTAS ATÉ A VITORIA E DEPOIS VEIO O JOIO E ENGOLIU O TRIGO...

    Obs. meu teclado está engolindo o "N".

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