segunda-feira, 31 de março de 2014

Salvem a Praia Grande: Bairro histórico sobrevive à mercê do abandono.

A Praia Grande onde fica localizado o Projeto Reviver é o retrato do abandono.

Por Fernando Atallaia - Agência Baluarte
 
Um dos casarões da Praia Grande deteriorado
Prédios e casarões históricos ruindo e deteriorados; segurança pública ausente; atrações musicais desprezadas e turistas sobressaltados e desprotegidos. Este é o cenário do bairro Praia Grande, o mais cultural da capital maranhense e onde fica localizado o conhecido Projeto Reviver, local de encontro e articulações de artistas e produtores culturais do estado.


O bairro em seu conjunto passa por sérios e graves problemas. Do Desterro ao Portinho, segundo constatou a Agência Baluarte, a falta de infraestrutura é gritante. Atualmente, a onda de violência seguida de farta incidência de assaltos e homicídios vêm sendo uma constante.

No Projeto Reviver, onde ainda se concentra boa parte da população da cidade que busca por entretenimento cultural, a insegurança se multiplica a cada dia. O único trailer de polícia militar localizado na praça Nauro Machado foi retirado há semanas e vários assassinatos e tentativas de homicídios têm sido registrados naquela área. 


Os comerciantes em sua maioria os principais locatários de bares no Reviver reclamam da ausência de políticas públicas do Governo do Estado que, deixando à mercê do abandono o Projeto, não oferece ações de preservação e fortalecimento das expressões culturais ali presentes. Lojas de artesanato estão instaladas em prédios que ameaçam desmoronar e as atrações musicais do local são cada vez mais raras.

Rua no Projeto Reviver: assaltos, assassinatos e a crescente onda de violência expulsam maranhenses e turistas  do centro histórico
''Estamos apavorados com tanta violência no Reviver, tá tendo muito assalto e homicídios e os turistas estão assustados com essa realidade; mesmo os maranhenses que frequentam o Projeto não estão vindo mais; o Reviver hoje é um local abandonado, virou um problema, é espaço desprezado que mais parece uma cidade-fantasma'', disse um garçom que há 15 anos trabalha no Projeto e que pediu para não ser identificado por medo de represálias da Secretaria de Cultura.

Estacionamento e desprezo da Secma- Além da visível preocupação dos frequentadores do Projeto Reviver/Praia Grande com a insegurança acentuada de ruas e praças do bairro histórico, há também discrepâncias igualmente presentes onde o desprezo da Secretaria de Cultural do Maranhão-Secma se faz ouvir, diariamente.


Ao lado da chamada ‘’Casa do Maranhão'', por exemplo, a antiga praça do Tombo da Ladeira que servia de concentração para produtores culturais desde a década de 90 virou um grande estacionamento. Às sextas-feiras o espaço é tomado por veículos de todas as trações que invadem e depredam os azulejos que deveriam ser rigorosamente preservados. 

Por se tratar de um bairro que integra uma cidade patrimônio da humanidade, a Praia Grande, exponencial e detentor de um inigualável acervo arquitetônico ao invés de receber tratamento digno recebe tratamento inverso e pede socorro.

Nossa reportagem tentou contatar a Secretária de Cultura do Estado do Maranhão, Olga Simão, para saber o porquê de tanto desprezo de sua Pasta pelo Bairro, mas até o fechamento dessa matéria nenhuma ligação realizada por nossa equipe havia sido atendida. Logo após, obtivemos a informação de que a titular da Secma não se encontrava na cidade. Havia feito um tour pelos estados da Bahia; Pará; São Paulo; Rio de Janeiro e Ceará com o objetivo de contratar artistas forasteiros para apresentações nas próximas festividades do Maranhão. Um procedimento corriqueiro!

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