domingo, 12 de janeiro de 2014

Onda de violência no Maranhão constrange apoio do PT a Sarney.

PT está a um passo de romper de vez com o grupo Sarney, crise no Maranhão compromete aliança com o clã.

Fernanda Krakovics/Jornal O Globo.

Enquanto Sarney sinaliza o (V) da vitória, a Presidente Dilma e Lula faz o (M) de mudança.
BRASÍLIA — A crise na segurança pública do Maranhão, de repercussão internacional, fortalece os argumentos da ala do PT favorável ao apoio à candidatura de Flávio Dino (PCdoB) a governador do estado contra o PMDB da família Sarney. A decisão — uma saia justa para o PT — será da Executiva Nacional e vem sendo adiada sucessivamente. A grande preocupação da família Sarney neste momento, no entanto, é com a possibilidade de uma intervenção federal, seja formal ou branca, no Maranhão.

O patriarca do clã, senador José Sarney (PMDB-AP), conversou ontem com o vice-presidente da República e presidente do PMDB, Michel Temer, sobre o assunto. Sarney reforçou a posição contra qualquer tipo de intervenção, alegando que não haveria sustentação jurídica e nem mesmo política para a medida, considerando que a governadora Roseana Sarney é aliada da presidente Dilma Rousseff.

Apesar da preocupação da família Sarney, os peemedebistas reconhecem que até agora o governo federal tomou todos os cuidados para não constranger Roseana. Mas até aliados da família admitem que a crise na segurança pública complicou a eleição de Roseana para o Senado e a do candidato do PMDB à sua sucessão, Luis Fernando Silva, atual secretário estadual de Infraestrutura.

Politização da crise

Além disso, há quem acredite que a crise no Maranhão poderá atingir também uma eventual candidatura à reeleição do próprio patriarca ao Senado pelo Amapá. Sarney já havia dito que não disputaria outro mandato, mas esta hipótese voltou a ser considerada recentemente. Como o apoio do ex-presidente Lula e de Dilma podem ser fundamentais para assegurar os êxitos dos peemedebistas, a expectativa é que a atual crise leve a família a diminuir suas exigências no plano local.

Aliados de Roseana tentam minimizar o impacto eleitoral da atual crise. Eles alegam que outros estados, como São Paulo e Paraná, passaram por cenários semelhantes no sistema prisional, e que, no caso do Maranhão, estaria havendo uma tentativa de politizar a questão. Ainda de acordo com pessoas próximas à família Sarney, a superlotação dos presídios é um problema da Justiça, e não do governo estadual.

Com uma dívida de gratidão com Sarney, aliado de primeira hora de sua campanha vitoriosa em 2002, Lula defende a manutenção do apoio ao PMDB no Maranhão, mas o presidente nacional do PT, Rui Falcão, já sugeriu há alguns meses uma solução intermediária, que seria apoiar Dino para o governo e Roseana para o Senado, o que, por ora, não é aceito por nenhuma das partes: PMDB, PT e PCdoB. Em 2010, a direção nacional do PT enquadrou o partido no Maranhão e impôs o apoio à candidatura de Roseana contra o próprio Dino.

— O Sarney virou um problema nacional. Estar perto do Sarney e da Roseana é comprometer nacionalmente o PT e o projeto de reeleição da Dilma. É levar a crise do Maranhão para o colo da Dilma — disse Márcio Jardim, integrante da Executiva do PT no Maranhão e do grupo pró-Dino.

Defensores da candidatura de Dino no PT ponderam, no entanto, que o comunista não facilita o entendimento ao garantir lugar em seu palanque para o pré-candidato do PSB à Presidência da República, governador Eduardo Campos (PE). O candidato ao Senado na chapa de Dino será do PSB.

Em meio ao racha no PT, até o diretório regional do Maranhão está sem presidente de fato. O atual presidente Raimundo Monteiro, aliado da família Sarney, foi reeleito em novembro, mas o resultado foi contestado pelos defensores da candidatura de Dino. Há uma reunião da Executiva Nacional marcada para o próximo dia 27, em São Paulo, mas, a princípio, esse assunto não está na pauta.

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